Eu tinha tanto para falar, que até fiquei sem palavras.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Desculpe o transtorno, eu preciso falar sobre a Jéssica.


Hoje, a Jé me mostrou o texto que o Gregorio fez para Clarice. Depois de algumas lágrimas (porque ando um poço de sentimentalismo), me deprimi com o pensamento que nunca vivi e provavelmente nunca viverei nada parecido, ainda mais depois da constatação de que partes do meu psicológico e emocional estão para sempre danificadas. Porém, minutos depois, veio um pensamento que me deixou feliz novamente: eu tenho uma amizade que talvez pouquíssimas pessoas no mundo já tiveram ou terão a sorte de ter um dia; a Jéssica.

Conheci a Jé na segunda série, em 2000. Entrei na sala de aula, com minha lancheira dos Telletubies e vi ela quietinha, na segunda classe, cabeça deitada em cima dos braços. Assumi a primeira classe, como sempre, mas já virei para trás querendo fazer amizade. No início, foi difícil. Ela tem aquele jeitinho tímido, fala pouco e observa muito, e muitas das perguntas que eu fazia, eu mesma acabava respondendo. Mas sabes quando tu vê que algo vale a pena? Eu vi. E eu simplesmente permaneci, dia após dia enchendo seus ouvidos com meu blá blá blá e meses depois ela já estava se soltando.

Isso faz dezesseis anos e até hoje sinto que foi a melhor decisão que tomei em toda minha vida. Ela é especial, como poucas pessoas sabem ser. É o tipo de pessoa que se encontra uma a cada um milhão, se encontrar. Tem valores que há tempos foram esquecidos: é leal, é justa, é honesta e sincera, é bondosa e altruísta. É verdadeira. É linda, por dentro e por fora.

Juntas, vivemos todas as fases. As vezes penso que ela viu que não se livraria de mim, então simplesmente abriu seu coração e me deixou entrar e hoje ocupamos na vida da outra um lugar que ninguém substitui: somos irmãs, somos amigas, somos porto-seguro. Juntas, estudamos todos os anos seguintes do ensino fundamental e médio, compartilhamos todas as festinhas da adolescência e as instabilidades e paranóias do início da vida adulta.

Ela me conhece de olhar. Não preciso nunca dizer se estou bem ou mal, alegre ou triste, ou prestes a desmoronar. Quando perdi minha avó, ela segurou minha mão o tempo todo. E esteve comigo em todos os outros momentos difíceis, muitas vezes sem dizer nada, pois sabia que o silêncio e a companhia eram tudo que eu precisava. Ela é alguém com quem posso contar. Seja para futilidades como me ajudar a escolher a roupa que vou usar ou para as coisas grandiosas, como tudo que aconteceu esse ano.

Eu conheço a alma dela também. Sei que ela é forte, durona e um tanto braba, mas precisa de cuidado e carinho, de proteção e afeto e eu espero que esteja ao longo desses dezesseis anos sendo pelo menos metade de tudo isso que ela merece, pois acredito que Deus existe pela benção que tive ao ter uma amizade assim.

A Jé é diferente. Ela é definição de confiança. Ela tem uma garra e uma força inigualáveis, tem caráter, tem um grande coração. Ela passou por inúmeras coisas que jamais merecia ter passado, mas diferente de muitas pessoas que se amarguram com suas dores, ela foi como um diamante: se lapidou a ponto de tornar-se cada vez mais preciosa. 

Nossa amizade não é comum. Nossa comunicação é quase telepática, nossa lealdade é mútua, nosso afeto é crescente. Não é apenas a amiga que esteve comigo em momentos difíceis, o que já seria grandioso. Mas também a amiga que esteve comigo nos momentos mais felizes da minha vida, quando eu sentia que poderia flutuar de tanta alegria e nunca sentiu inveja: a felicidade dela é a minha e vice-e-versa. Nós temos até o mesmo senso de humor!

Desenvolvemos uma linguagem própria, com apelidos e sinônimos que só fazem sentido para nós. Nós também compartilhamos músicas, filmes, séries, livros, roupas e guloseimas. Nós nos importamos e cuidamos uma da outra, e acho que isso é a coisa mais linda que se pode fazer por alguém.

Então, já não me importo se talvez eu nunca viva uma história tão linda quanto a de Clarice e Gregório. Porque enquanto eu tiver uma amizade como a da Jé (e eu sei que terei para sempre), me sentirei a pessoa mais grata e abençoada do mundo.  

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The Japanese call it Hanakotoba, and King Charles II brought it to Sweden from Persia in the 17th century. Read More

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