Eu tinha tanto para falar, que até fiquei sem palavras.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

2016 foi bom pra quem?



Finalmente, acabou.
2016, o pior ano.
O ano que começou com a morte de David Bowie, como poderia continuar bem?

Mas uma lição, esse ano vai deixar...
"Não há nada tão ruim que não possa piorar. "

Há quem ache pessimismo, mas é a realidade.
Sobra "mimimi" e falta vontade.

De ser a mudança que queremos ver.
Porque só falar e falar, ninguém mais crê.

Com os muitos internautas de plantão.
Que usam facebook e twitter pra reclamação.

Sobra gente "revoltada" que não sai da cadeira.
Que critica sem argumento, que briga por besteira.

Feminista que defende a mulher.
Mas não ajuda a mãe a lavar uma colher.

Gente "politizada" que não sabe de nada.
A crise ta ai, corrupção na conversa grampeada.
Recorde de desemprego, PEC aprovada.

Lixo escroto no poder, saudando a mandioca.
Enquanto quem tem boas ideias, não sai da toca.
Porque tem medo da violência, que está em todo lugar.
E quanto mais inteligente for, mais vão querer te calar.

Atraso no pagamento do funcionário
Que sai de casa, se arrisca e não tem direito à salário
Se se rebela, "é marginal"
Ainda apanha de policial

Não foi colocada uma meta, mas ela foi dobrada
É tão deprimente, que dá vontade dar risada
Ou logo iniciar uma revolução à mão armada

Impeachment da Dilma, delação de Odebrecht, Temer no poder
É tanta vergonha, o que mais falta acontecer?

Quase se esgotando a paciência
Ainda teve reforma na Previdência

Perdemos o Fidél, político revolucionário
E vimos chamarem de "mito", o Bolsonaro

Em outras áreas, não foi nada diferente
Surto de H1N1, desabamento e enchente

Pais matando filhos, todo tipo de crueldade
Gente morrendo de frio nas ruas, à mercê da maldade
De marginal que põe fogo em mendigo
E outras tantas que negam um apoio, um abrigo

Vimos um caso de estupro coletivo com uma jovem adolescente
"Culpa dela, tinha que ser mais descente"

Nem no futebol, que era orgulho do país
Encontramos mais motivos para ficar feliz
Pra Corinthians e Palmeiras, teve a morte dos torcedores que brigaram
Depois, com a tragédia do Chape, tantos sonhos que acabaram

Se for para o lado pessoal, também não tá tão legal
Relações cada vez mais frias, tudo é superficial

Ninguém tem paciência pra nada, é tudo descartável e substituível
E quem é um pouco diferente, mais uma vez é inaudível

Se abraça com pressa
Não existe conversa

É como se todo mundo se odiasse
Mas as vezes se usasse
Pra fugir da solidão

Então, 2016 não vai deixar saudade
Dizer que deixaria, seria falsidade
E pra 2017  a única expectativa é mudar essa realidade

Que as pessoas reaprendam os valores perdidos
Que não aceitem fácil o que é descabido

Que haja mudança
E até um pouco de esperança
Que possamos sorrir como quando criança

Que a revolução comece em cada um de nós
Em não aceitar que calem nossa voz

Que não percamos a chance de lutar por aquilo que é justo
E que o bem predomine à qualquer custo

Acima de tudo, que haja mais empatia
Redescobrir que ajudar outro alguém, alegra nosso dia

Que haja mais amor de verdade
Abraço sincero, paz e solidariedade

E, por último, mas não menos importante
Que as pessoas entendam que apenas falar, é irrelevante

E que uma virada no calendário não significa mudança
Mas sim lutar pelo que quer, com perseverança.


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sábado, 17 de dezembro de 2016

Desculpe o transtorno, eu preciso falar sobre a Jéssica.


Hoje, a Jé me mostrou o texto que o Gregorio fez para Clarice. Depois de algumas lágrimas (porque ando um poço de sentimentalismo), me deprimi com o pensamento que nunca vivi e provavelmente nunca viverei nada parecido, ainda mais depois da constatação de que partes do meu psicológico e emocional estão para sempre danificadas. Porém, minutos depois, veio um pensamento que me deixou feliz novamente: eu tenho uma amizade que talvez pouquíssimas pessoas no mundo já tiveram ou terão a sorte de ter um dia; a Jéssica.

Conheci a Jé na segunda série, em 2000. Entrei na sala de aula, com minha lancheira dos Telletubies e vi ela quietinha, na segunda classe, cabeça deitada em cima dos braços. Assumi a primeira classe, como sempre, mas já virei para trás querendo fazer amizade. No início, foi difícil. Ela tem aquele jeitinho tímido, fala pouco e observa muito, e muitas das perguntas que eu fazia, eu mesma acabava respondendo. Mas sabes quando tu vê que algo vale a pena? Eu vi. E eu simplesmente permaneci, dia após dia enchendo seus ouvidos com meu blá blá blá e meses depois ela já estava se soltando.

Isso faz dezesseis anos e até hoje sinto que foi a melhor decisão que tomei em toda minha vida. Ela é especial, como poucas pessoas sabem ser. É o tipo de pessoa que se encontra uma a cada um milhão, se encontrar. Tem valores que há tempos foram esquecidos: é leal, é justa, é honesta e sincera, é bondosa e altruísta. É verdadeira. É linda, por dentro e por fora.

Juntas, vivemos todas as fases. As vezes penso que ela viu que não se livraria de mim, então simplesmente abriu seu coração e me deixou entrar e hoje ocupamos na vida da outra um lugar que ninguém substitui: somos irmãs, somos amigas, somos porto-seguro. Juntas, estudamos todos os anos seguintes do ensino fundamental e médio, compartilhamos todas as festinhas da adolescência e as instabilidades e paranóias do início da vida adulta.

Ela me conhece de olhar. Não preciso nunca dizer se estou bem ou mal, alegre ou triste, ou prestes a desmoronar. Quando perdi minha avó, ela segurou minha mão o tempo todo. E esteve comigo em todos os outros momentos difíceis, muitas vezes sem dizer nada, pois sabia que o silêncio e a companhia eram tudo que eu precisava. Ela é alguém com quem posso contar. Seja para futilidades como me ajudar a escolher a roupa que vou usar ou para as coisas grandiosas, como tudo que aconteceu esse ano.

Eu conheço a alma dela também. Sei que ela é forte, durona e um tanto braba, mas precisa de cuidado e carinho, de proteção e afeto e eu espero que esteja ao longo desses dezesseis anos sendo pelo menos metade de tudo isso que ela merece, pois acredito que Deus existe pela benção que tive ao ter uma amizade assim.

A Jé é diferente. Ela é definição de confiança. Ela tem uma garra e uma força inigualáveis, tem caráter, tem um grande coração. Ela passou por inúmeras coisas que jamais merecia ter passado, mas diferente de muitas pessoas que se amarguram com suas dores, ela foi como um diamante: se lapidou a ponto de tornar-se cada vez mais preciosa. 

Nossa amizade não é comum. Nossa comunicação é quase telepática, nossa lealdade é mútua, nosso afeto é crescente. Não é apenas a amiga que esteve comigo em momentos difíceis, o que já seria grandioso. Mas também a amiga que esteve comigo nos momentos mais felizes da minha vida, quando eu sentia que poderia flutuar de tanta alegria e nunca sentiu inveja: a felicidade dela é a minha e vice-e-versa. Nós temos até o mesmo senso de humor!

Desenvolvemos uma linguagem própria, com apelidos e sinônimos que só fazem sentido para nós. Nós também compartilhamos músicas, filmes, séries, livros, roupas e guloseimas. Nós nos importamos e cuidamos uma da outra, e acho que isso é a coisa mais linda que se pode fazer por alguém.

Então, já não me importo se talvez eu nunca viva uma história tão linda quanto a de Clarice e Gregório. Porque enquanto eu tiver uma amizade como a da Jé (e eu sei que terei para sempre), me sentirei a pessoa mais grata e abençoada do mundo.  
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Taylor Wong Architecture Designer

The Japanese call it Hanakotoba, and King Charles II brought it to Sweden from Persia in the 17th century. Read More

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